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  • Oração e maturidade espiritual

    Oração e maturidade espiritual

    Minha impressão é que muitos cristãos, talvez a maioria, reconhecem a oração como a expressão mais frágil e fraca de sua jornada espiritual. É possível que alguns se sintam mais à vontade nas reuniões públicas de oração, porque, de certa forma, aprenderam a fazer orações. Porém, certamente, não se sentem tão à vontade na oração solitária -- aquela que fazemos no quarto com as portas fechadas.

    Acredito que a oração -- a expressão mais pessoal da nossa fé -- encontra grande resistência numa cultura marcada pela impessoalidade e pelo pragmatismo. Nossos relacionamentos tendem a ser superficiais e funcionais. Entretanto, a oração é, em sua essência, uma amizade com a Trindade Santa. É a dimensão mais pessoal da nossa fé.

    Podemos fazer nossas orações como uma forma de buscar proteção e apresentar nossas necessidades diante do Criador. No entanto, entrar num relacionamento de amizade com Deus Pai, Filho e Espírito Santo implica outra dinâmica.

    O que seria necessário em nossa busca por conhecer a Deus de modo mais profundo e pessoal, amá-lo de todo o coração, confiar nele com toda a nossa alma e agradá-lo, que é o anseio de todo coração convertido e regenerado? Bem, entrar num relacionamento com Deus, nosso amado Pai; com Jesus Cristo, nosso querido Salvador; e com o Espírito Santo, o Deus presente em nós e entre nós, aquele que nos ensina a guardar tudo o que o Filho nos ensinou e a glorificar o Pai por meio dele, requer, em primeiro lugar, conhecê-lo.

    O conhecimento de Deus vem por meio da Bíblia Sagrada, o principal meio de graça onde encontramos a autorrevelação de Deus. Esse conhecimento não chega a nós de forma solitária. Necessitamos da companhia de todos aqueles que também buscam nas Sagradas Escrituras o conhecimento de Deus, compartilhando aquilo que ouvem, veem e compreendem. Refiro-me à comunhão de todo o Corpo de Cristo, em toda a história, porque sabemos que o conhecimento de Deus se dá na comunhão dos santos e nunca fora dela.

    Não podemos nos esquecer de que é Deus quem se revela a nós. A iniciativa é dele, não nossa. O que fazemos é acolher sua autorrevelação, crer nela, receber sua Palavra e nos submeter àquilo que Deus mesmo fala sobre si. Isso requer humildade. O conhecimento de Deus leva-nos à comunhão com ele na medida em que respondemos em submissão ao que temos aprendido sobre ele, deixando-o transformar nossa história e nos tornando parte de sua história, arrependendo-nos, confiando e obedecendo a ele diariamente. O relacionamento cresce da mesma forma que uma amizade cresce, seguindo por toda a eternidade.

    A comunhão com Deus por meio da oração é expressão do conhecimento de Deus. Quem conhece a Deus ora. À medida que o conhecemos mais, nossas orações tornam-se mais pessoais e a amizade com Deus cresce. Assim, nós amadurecemos. Nossos corações e afetos mudam. Seguimos apresentando a Deus nossas súplicas por proteção, mas nos despertamos para perceber que o que mais desejamos é cultivar a amizade com a Trindade Santa, agradá-la cada vez mais e refletir seu caráter.

    Dessa forma, nossos corações e mentes permanecerão voltados para Deus, atentos à sua voz, buscando compreender sua boa, agradável e perfeita vontade. A amizade com Deus fortalece e intensifica nossas amizades com nossos irmãos e irmãs em Cristo. E mais: ajuda-nos a nos conhecer, porque o conhecimento de Deus envolve o conhecimento de nós mesmos.

    Quando Deus se revela e encontra em nós um coração fértil e receptivo, humilde e acolhedor, a oração deixa de ser uma expressão frágil e fraca em nossa jornada espiritual. Gostaria de terminar citando Agostinho: “Que eu te conheça, ó conhecedor meu! Que eu também te conheça como sou conhecido! Tu, ó força de minha alma, entra dentro dela, ajusta-a a ti, para a teres e possuíres sem mancha nem ruga”.

    Ricardo Barbosa de Sousa é Pastor da Igreja Presbiteriana do Planalto e coordenador do Centro Cristão de Estudos, em Brasília. É autor de Janelas para a Vida, O Caminho do Coração, A Espiritualidade, o Evangelho e a Igreja e Pensamentos Transformados, Emoções Redimidas. É também articulista da Revista Ultimato.

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    FonteUltimato Online

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    Data : 2016-07-28
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